Continuando o relato, posso dizer que a esta altura, minha única esperança era a terapia, que ela fazia desde a época da separação (fato que foi extremamente benéfico); infelizmente a psicóloga teve problemas de saúde e precisou interromper o acompanhamento. O que me levou a procurar outra profissional.
*Minha dica: Acompanhamento psicológico é fundamental, e na rede pública é possível realizar esse atendimento de forma gratuita.
Seguindo recomendação, agendei a sessão com uma psicóloga, descrita como especialista na atuação com adolescentes, para que minha filha pudesse retomar o “tratamento”.
Nesse período, comecei a prestar atenção em um comportamento da minha filha que sempre existiu, mas se intensificou na adolescência, e que foi determinante para mim.
Ela sempre gostou muito de contato físico, sempre abraçando avós, primos, Dinda e Dindo…enfim, todos que faziam parte do convívio mais próximo. Comigo, a necessidade era de ficar “grudada” o tempo todo, o que eu imaginava acontecer devido aos vários dias que ficava longe de casa (e lá vinha a culpa de novo!).
Reparei que esse comportamento começou a se intensificar e, então, eu tive certeza que algo estava diferente.
*Minha dica: é muito comum que o comportamento “estranho” se intensifique na adolescência (características do autismo que não eram observadas na infância), o que muitas vezes leva os pais e familiares a afirmar: “Mas ele nunca foi assim”.
Deixe me citar um exemplo de uma situação que eu achava incomum: ela se dirigia a mim, dava um abraço e dizia: “mamãe, te amo!”; em seguida ia até a geladeira, pegava algo, retornava, me abraçava de novo e dizia: “mamãe, te amo!”. E assim acontecia várias vezes ao longo do dia.
Esse comportamento me inquietava e chamava a atenção; e mesmo achando que era carência eu sentia que era incomum.
Instintivamente, comecei a pesquisar sobre o assunto e tive a brilhante ideia de fazer uma busca na internet colocando a frase: “quais são as causas do abraço em excesso?”.
*Nunca duvide de uma mãe quando sisma com algo*
Pois bem. A frase inusitada trouxe vários artigos, e grande parte deles estava relacionada, realmente, à carência afetiva, mas eu não me convencia e continuava procurando, até que…encontrei um texto em que havia a afirmação de que os abraços, percebidos como “exagerados”, podiam ser uma característica do autismo. Bingo! Senti que tinha achado o motivo real.
Imediatamente, me coloquei “à caça” de quaisquer publicações relacionadas ao assunto e, a cada nova informação obtida ou novos exemplos apresentados, começava a lembrar de vários comportamentos apresentados por minha filha, aos quais, diga se de passagem, jamais atribuí qualquer diferença (falarei sobre este assunto, especificamente, em outros artigos).
*Minha dica: Os autistas não são iguais! Cada um deles apresenta características diferentes. Com certeza você vai ouvir várias pessoas usando a frase: “seu filho não é autista! Ele não age de “x” jeito.” Então, uma coisa que acho muito interessante é que você procure exemplos na internet e observe quais lhe parecem semelhantes aos do seu adolescente. (lembrando que essa atitude não lhe trará um diagnóstico, mas poderá auxiliar o profissional capacitado na coleta de informações).
Imediatamente marquei horário com a psicóloga que, à época, atendia minha filha, para lhe contar sobre minha suspeita.
Assim que terminei o relato, adivinhem qual foi a atitude dela?; caiu numa gostosa gargalhada! (farei a fineza de não mencionar o nome da profissional).
É claro que achei essa atitude, no mínimo, indelicada, mas ela era a profissional, ou seja, de que valia minha opinião “na fila do pão”? Sendo assim, só me restou sair da sessão frustrada e envergonhada.
Deixei o assunto pra lá, embora continuasse incomodada com a situação.
Algum tempo depois, minha filha disse que não estava se adaptando à psicóloga, e me pediu que procurasse outra.
Foi então que uma amiga me indicou a psicóloga de seu filho, e fez excelentes recomendações sobre ela. Não tive dúvidas, tratei de marcar a sessão, e minha filha começou a terapia com ela.
Como é de costume, a psicóloga me chamava de “tempos em tempos” para alguns feedbacks sobre a evolução da terapia e, no terceiro mês, ela me pediu mais uma vez que fosse conversar sobre uma percepção que tinha tido sobre minha filha.
Me lembro, fotograficamente, daquele dia!
Com a calma habitual, ela começou a me detalhar alguns comportamentos que havia notado nas sessões (de forma muito específica) e, ao final do relato, ela me disse a seguinte frase: “mãe, suspeito que sua filha seja autista”. Eu comecei a chorar desesperadamente e, assustada, ela tentava me acalmar dizendo que não era uma coisa ruim. Quando finalmente consegui falar, disse: “não estou chorando de tristeza, mas sim porque que eu já sabia!”.
*Nunca, nunca ignore uma suspeita sua, por mais boba que possa parecer, pois o diagnóstico do autismo é extremamente difícil, e a ajuda dos pais, que convivem diariamente com o adolescente, são peças-chave para essa “descoberta”. Lembrando que somente um profissional poderá chegar a uma conclusão.
Minha dica: em caso de dúvidas, procure sempre uma segunda opinião.
QUAL É O PROCEDIMENTO APÓS A PRIMEIRA SUSPEITA DE AUTISMO?
Continua….
Parabens Tati pela atitude . Assim podera ajudar as familias que estao em fase de descoberta e nao sabem o que fazer a quem pedir ajuda. Linda atitude.
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Parabéns Tati , linda atirude . Obrigada por compartilhar sua experiência. Assim poderá ajudar muitas famílias em fase de descoberta e que não sabem o que fazer a quem procurar ..
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